Uma das
maiores mentiras contadas desde o início desta governação encabeçada pelo PSD e
pelo CDS-PP não é a de que temos primeiro-ministro, não é a de que existem
licenciaturas algo obscuras, não é a de que existe gente capaz, minimamente instruída
e prudente para entender processos simples de uma economia funcional; o dado
mais falacioso desta governação é a de que existe coligação.
Todavia, de onde nasce essa carência de
coesão? Numa análise superficial, talvez o mais fácil de discernir seja que,
por imposição da relação pelouro-durabilidade-conjetura, as sinuosas posturas
dos dois maiores representantes de cada partido os injungem a uma alienação do
trabalho forçoso de equipa, de equilíbrio e confiança. Verdade seja referida,
sem a tranquilidade necessária nesta situação, o povo insurge-se em
desconfianças e protestos.
Ainda assim, aprofundando melhor essa atitude,
a verdade é que, num tempo manifestamente de crise, nenhum bom político ou
partido experiente, se vai dar ao luxo de se fazer ver com propostas capazes e
com, acima de tudo, coerência e flexibilidade moderada. Os tempos não são
disso, pelo menos na reflexão das quezílias, muitas das vezes premeditadas, que
encabeçam as grandes forças político-partidárias.
Qualquer líder político, neste momento,
revela falências gritantes para altos paladinos da crise socioeconómica que se propõe
a ser: António José Seguro, embora tenha um discurso calmo e direcionado,
revela-se um estratega, um homem do backstage que, pela pressão a que está
sujeito, comete algumas precipitações evitáveis; Jerónimo de Sousa mantém o seu
discurso, advertindo, desse modo, que os usos e costumes deste nosso
faz-de-conta que é Portugal persiste em demonstrar, contudo, como rosto
contínuo de uma luta ingrata, vai revelando algum cansaço e desgaste; Francisco
Louçã abandona o barco, dando azo a uma reflexão acerca da sua autoimagem que,
no global da situação, faz antever um homem que se agigantou num partido,
divertiu-se a fazer pouco daqueles que, alimentando-se de curvas de decisões,
pouco ou nada tinham a acrescentar ao progresso político, social e económico
deste país e que, quando o baloiço enferrujou e as alternativas eram prioritárias,
abandonou o barco e dedicou-se a algo sério; por fim, Pedro Passos Coelho que,
talvez pela sua maior exposição, patenteia um dos mais falidos políticos de que
há memória neste reduto espairecido da Europa: carece de uma afinidade com os
seus parceiros políticos, no caso específico e mais revelador da falta de
entendimento entre as partes governamentais, o CDS-PP e Paulo Portas, um homem
hábil de movimentos e discurso, mas fraco de ideologia e soluções. Um político
que se consome em alternâncias de culpa em momentos chave da crise portuguesa
é, na melhor das hipóteses, um crápula movido a interesses próprios.
Pedro Passos Coelho também revela uma aptidão
para o discurso, principalmente se ele for isento de coerência e argumentação,
contudo, a maior das culpas de Passos Coelho é que, devido a isso coloca não o
país à beira da crise política, mas sim, a crise política à beira do país, na
medida em que, medidas completamente descabidas e sem um propósito expectável, forçam
homens próximos ao Primeiro-ministro como Miguel Macedo e António Borges a
criarem atritos com o povo que os coloca, indiretamente, no poder, dizendo
barbaridades de quem se esquece, momentaneamente, que é um servidor do povo,
não um autoritário do povo e, outros elementos do próprio partido como Marques
Mendes (que revelou, anteriormente, uma postura contígua a PPC), Manuela
Ferreira Leite e Marcelo Rebelo de Sousa a desmarcarem-se, prontamente, das
políticas levadas a cabo pelo governo.
Essa instabilidade intrapartidária promove
uma desconfiança entre os eleitores, agravada pelas medidas danosas de
austeridade que, até para o Senhor Manuel da mercearia (sem qualquer
desprimor), soam a lodos: quem mata o poder de compra, mata a circulação de dinheiro.
Ainda a isso se juntam a passividade de um
Presidente da República que, somente em período de eleições e lamúrias dá
sinais de si, a massificação de qualquer espaço, dando como exemplo a extinção
de freguesias, o aumento do número de turmas ou os Mega agrupamentos e, ainda,
a falta de esclarecimento no que concerne à atividade da nação: quem somos,
como estamos, para onde vamos…
Assim, no global da situação, a
destruturação dos órgãos que, em período austero, deviam revelar estabilidade e
direção, demonstram fraqueza de espírito, nepotismo e falta de rumo,
adivinhando um suicido a médio prazo. Portugal trata-se de um país que se quer
livre no conservadorismo e tacanhez, capitalista sem o poder de movimentar
dinheiro e, acima de tudo, uma potência com mentalidade de casa postergada e
infame.
Aquele.

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