quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Que Tuguinha mais irritante, este...



  


 Antes de mais, uma saudação aos que lerem isto, seja por que motivo for, e a este blog que descontinuei bem antes de o continuar.

   Feita esta introdução descontextualizada, passo então ao que me traz a escrever neste espaço mais uma vez – não que seja a última vez ou qualquer género de epílogo barato. O que me chama aqui hoje é um hábitozinho irritante do comum tuga! Um uso que é muitas vezes trasvestido de uma expressão que tanta gente, tão costume como o próprio costume, gosta de usar: viver acima das possibilidades. Irrita-me… Irrita-me!
   E irrita-me porquê?! Antes que se comece a barafustar, convém explicar… É que se fosse só um ou outro, ainda vá que não vá, que se chamava de “charlatão” ou “gatuno” e a coisa lá passava com umas larachas populares e uns dizeres fortes sobre as práticas profissionais da mãe do sujeito, mas não… Todo o Tuga, do ‘inho ao ‘zão, mais fã do Cristiano ou menos da Amália – que descanses em paz, sua lontra amorosa -, é um fervoroso adepto de viver acima das suas possibilidades… Nenhum se escapa, ora veja-se se não tenho razão:
   Estava eu de mão dada – já aqui se percebe o quanto o tuga gosta é de coisas grátis – a um mendigo que vim a descobrir ser acionista de um banco, quando me floresceu a nítida ideia de que o tuga é mesmo assim… Ora, se a memória não me falha, o típico tuga nesta altura anda a resgatar dois bancos, a pagar impostos elevados, a vender um Pavilhão Atlântico bem composto em plena crise imobiliária, a querer privatizar a água com que se lava e come, a degradar o seu estado económico e social, com desinvestimento na educação e na saúde, e se bem sei, até consta que nem trabalha porque não recebe, e se trabalha fecha a porta só porque não consegue pagar a renda. Mais, conheço uns quantos que até fizeram greve de fome só porque não têm dinheiro para a comida. Mais, sei de uns quantos jovens, também tuguinhas, que foram de férias lá para aqueles países com trabalho e ainda não voltaram, tamanhos caloteiros! E isto tudo é só o que me lembro de cabeça, mas com certeza existirão mais…
   Bom, isto tudo serve para ilustrar que o típico tuga vive mesmo com a ideia de que tem o que não tem… Ainda vejo gente cheia de si a julgar ter direito à cultura, mesmo quando se retirou fundos às Artes só porque se percebeu que o novo CD do Michael Bublé ainda não estava no Pirate Bay e até fazia jeito. Ainda vejo gente enganada quando ai a gritar por educação… Mas então o que somos nós, gente instruída ou quê?!
  Este tuga é um cancro de gosto gourmet, nova moda empreendedora sem capital que anda a cumprir horários demasiado longos só para fingir que trabalha, que diz com ar de pena “pois, isto está difícil, não é?!” e encolhe os braços só porque os bolsos estão russos de apelido, que se chateia porque paga pela pica – mas achas que os impostos servem para isto, ó magano? – e que anda moribundo porque afinal descobriu que se calhar o ordenado mínimo que recebe já nem dá para uma malga de arroz… Badameco que precisa de comer, este…
   Ou então não, que este tuga não é nada mais que a vítima do que é viver acima das nossas possibilidades, não porque nos julgámos mais ricos do que somos, mas sim menos pobres do que a carteira canta…

   … e oiço a limusine Comboios de Portugal de dois andares chegar. Senhores passageiros, o comboio suburbano CP, com destino a sabe-se lá onde…


Aquele.

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