sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mundo

Mundo
Perdi-me no...
mundo que guardo no meu bolso.
Sou pequeno demais para ele,
tudo nele fez-me sentir peso,
tento entendê-lo,
mas... com tanto mar eu só meto água nele.
Com tantas tempestades, suporto frio e tornados;
e tornado a casa estou, depois de uma guerra sem significado.
uma carta sem significado, uma vida sem significado,
tudo porque sempre segui, quando devia ter ficado...
a ver-te, a sentir-te, a escrever-te e a pintar-te,
já que tudo o que nós vivemos resumiu-se a arte.
E o desejo arde – tu insistes em queimar-me.
E o coração parte – diz-lhe para voltar!
vivemos em pequenos mundos;
são pequenas pontes que nos fazem construir o nosso universo.
Sempre tentei fazer a diferença em tudo,
sei que se assim não for, não vale a pena tentar mudar o mundo sozinho.
É no vinho que procuro refúgio,
fujo da multidão para o meio dos meus abrigos sujos!
E tudo o que escrevo um dia há-de ser eterno;
serei apenas lembrado como um génio mau com mau génio.

Tento subir mais alto,
nuvens são ar e a caminhar deparo-me com o asfalto.
Não consigo tocar nas estrelas;
só vê-las, não consigo respirar ao tocá-las.
Estou cheio de limitações,
sinto-me vazio com tantas restrições.
E tu vês, tu não me amas, amor é cego.
E tu não sentes, tu não estás, eu estou bem perto!
Sempre mentiste, disseste coisas que nunca sentiste,
o meu mundo entra em choque com cada palavra que disseste.
E cais no ridículo ao dizeres que sou grande por dentro,
quando tu própria sabes o quanto o mundo é pequeno.


Lopes, Daniel Xavier. Sou um sem abrigo com cem abigos, 2012. Chiado Editora.

1 comentários:

Maria Ribeiro disse...

"(...)são pequenas pontes que nos fazem construir o nosso universo.(...)"

É imperativo que nos deixem construí-las!!

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