quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

“Sou um democrata, laico e Soarista”, disse.



   Antes de começar a escrever o que aqui me traz, e lembrando para mim que não é meu apanágio tal conduta, acho importante referir dois prévios, relevantes para a minha motivação em me debruçar sobre este assunto, e nesta altura: i) comprometi-me a fazê-lo e não achando melhor altura, esta, que para a pessoa que tratarei neste texto se manifesta, no meu entender, como um momento agridoce, espelha perentoriamente como o trabalho frui tarde ou cedo e que ele compensa se for bem delineado e se acreditarmos nele. ii) avizinham-se grandes projetos sobre a sua alçada e, analisando de uma perspetiva pragmática e não tomando parte, parece-me que esta altura é propícia a essa consumação engrandecedora que chegará – dir-me-á a pessoa em questão, que isto são só os inícios, e tem razão.
   Feita esta nota introdutória, augura-me explicar que não sou de “seguidismos” (sem qualquer desprimor para quem o seja), e que a minha capacidade em apontar falhas para além da euforia é por demais aguçada, contudo, não querendo soar a adulação ou culto ao chefe, o projeto que vos transmito define-se com poucas falhas, isto é, ainda que tenha limagens a fazer, a sua genuinidade e característica fazem com que as mesmas se resolvam por si. Essas premissas, antes de qualquer contacto mais próximo com o Filipe, a pessoa que tratarei hoje, ou mesmo qualquer um dos camaradas que abraça este projeto – como é seu costume, não posso ser eu a esquecer-me que não está sozinho -, são possivelmente aquilo que me faz, volvidos possivelmente perto de dois anos de militância (o ativismo da mesma é sempre discutível), manter-me crente de que o aparelho político pode realmente funcionar; não que eu não acredite nas possibilidades do mesmo, mas porque vou conhecendo as impossibilidades que lhe vão colocando.
   Estes indicadores, juntamente com a noção clara da democracia e da liberdade de escolha e opinião, num ambiente em que o ideário se presta a “ausência”, ou mesmo a “ditadura da ideia” (que às vezes se confunde a firmeza da ideia, com a total abolição da ideia dos outros), fazem-me crente de que existe um líder capaz, líder esse que potencia a ideia de que existem sempre primeiro os “outros”, iguais e justos, vítimas da paridade e não do capricho dos instrumentos, e que julgo ser primeiramente um humanista do que um “democrata, laico e soarista”, como tanto se preza a dizer.
   Lembro, todavia, que ninguém é bafejado pela perfeição e que existirão ódios, azedumes ou mesmo gostos que não convergirão, mas como me prestei a dizer-lhe: “se discordarmos alguma vez, falaremos sobre isso”, acredito que isso acontecerá, com a postura democrata que o caracteriza.
   Não pretendo com isto alargar-me em grandes elogios, mas numa altura em que o coordenador da nossa concelhia da JS, Filipe Barroso, camarada e amigo, terá a amargura da perda de duas figuras que tanto admira, e a alegria de um grande evento protagonizado pelo sábio e assertivo Vítor Ramalho, que deu o mote para aquilo que se espera, um grande ano de Juventude Socialista, achei por bem demonstrar o meu apreço, em nome da minha pessoa e daqueles que se revirem nas minhas palavras, um muito obrigado por numa altura em que os rumos escasseiam, acreditarmos em simultâneo que existe um rumo certo.


Daniel Xavier Lopes,
Um Socialista de punho serrado e mão aberta.

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