domingo, 7 de outubro de 2012

O Allgarve de todos e nenhum.



Na gala europeia dos World Travel Awards, o Algarve teve a honra de ser premiado com catorze prémios (sete deles a nível nacional, um a nível mediterrânico e outros seis a nível global) nas mais de três dezenas de categorias em que foi nomeado. Isto poderia ser uma anotação feita com algum agrado e orgulho, mas existem questões mais preocupantes a serem levantadas por esta congratulação, ou melhor, pela exoração do Algarve enquanto destino turístico dileto e de excelência.

O concreto é que o país não abunda em poderio financeiro e nem tem capacidade para investimentos em larga escala, mas o que se torna preocupante é que, essa debilidade monetária somente serve de camuflagem para um problema maior: Portugal não sente necessidade em investir! Muito menos num mercado em constante crescendo, o Turismo!

Não sou, de longe, um fervoroso do Neoliberalismo, muito menos, sinto necessidade em enaltecer as suas (abjetas) medidas, mas a verdade é que na conjetura atual, o fosso entre as classes é cada vez maior, o que premeia a agregação de quantias avultadas de dinheiro num pequeno extrato da sociedade. Ora bem, diz o senso comum que, quanto menos houver poder de compra (e com isso, depreenda-se, irmãmente distribuído), menos dinheiro circula, contudo, a verdade é que esse pequeno nicho que se refastela com caviar e Bourbon ao pequeno-almoço tem tendência a esbanjar dinheiro, ou por proclamação de status, ou ainda, somente porque acha oportuno.

Essa predisposição, para um destino como o Algarve, deveria ser um factor a ter em conta no que concerne ao investimento. O Algarve é muito mais que o regresso dos emigrantes, das camones e do Zezé… Essa carência no investimento, aliada à destruição crescente do turismo interno, através das Scuts e da redução da capacidade monetária das famílias de classe média, tem repercussões gigantes que, num país à beira do colapso, servem de pó para feridas abertas. Portugal não é necessariamente um mar de rosas, mas a verdade é que, no cômputo geral, o marketing que o faz parecer é produzido por empresas privadas que, tendo uma noção clara das potencialidades da zona, vão continuando enriquecendo. 

O único que não credita o turismo que tem é Portugal! O resumo é esse; com escolas capazes na área do Turismo, elementos formados com valências ímpares e extremamente valorizadas, zonas abundantes em beleza natural e modificada, uma pluralidade de objetos de lazer e estudo, alimentados por um clima e gastronomia díspares na Europa e no mundo, o Algarve e todas as zonas de Portugal são, se bem aproveitados, importantes catalisadores no enriquecimento do país. Mas quem manda, quer Monte Gordo só para si. 

Aquele.

1 comentários:

Maria Ribeiro disse...

Bem visto!!!

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