
Na gala europeia dos World Travel Awards, o Algarve teve a honra de ser premiado com catorze prémios (sete deles a nível nacional, um a nível mediterrânico e outros seis a nível global) nas mais de três dezenas de categorias em que foi nomeado. Isto poderia ser uma anotação feita com algum agrado e orgulho, mas existem questões mais preocupantes a serem levantadas por esta congratulação, ou melhor, pela exoração do Algarve enquanto destino turístico dileto e de excelência.
O concreto é que o país não abunda em poderio financeiro e nem
tem capacidade para investimentos em larga escala, mas o que se torna
preocupante é que, essa debilidade monetária somente serve de camuflagem para
um problema maior: Portugal não sente necessidade em investir! Muito menos num
mercado em constante crescendo, o Turismo!
Não sou, de longe, um fervoroso do Neoliberalismo, muito
menos, sinto necessidade em enaltecer as suas (abjetas) medidas, mas a verdade
é que na conjetura atual, o fosso entre as classes é cada vez maior, o que
premeia a agregação de quantias avultadas de dinheiro num pequeno extrato da
sociedade. Ora bem, diz o senso comum que, quanto menos houver poder de compra (e
com isso, depreenda-se, irmãmente distribuído), menos dinheiro circula,
contudo, a verdade é que esse pequeno nicho que se refastela com caviar e Bourbon
ao pequeno-almoço tem tendência a esbanjar dinheiro, ou por proclamação de
status, ou ainda, somente porque acha oportuno.
Essa predisposição, para um destino como o Algarve, deveria
ser um factor a ter em conta no que concerne ao investimento. O Algarve é muito
mais que o regresso dos emigrantes, das camones e do Zezé… Essa carência no
investimento, aliada à destruição crescente do turismo interno, através das
Scuts e da redução da capacidade monetária das famílias de classe média, tem
repercussões gigantes que, num país à beira do colapso, servem de pó para
feridas abertas. Portugal não é necessariamente um mar de rosas, mas a verdade
é que, no cômputo geral, o marketing que o faz parecer é produzido por empresas
privadas que, tendo uma noção clara das potencialidades da zona, vão
continuando enriquecendo.
O único que não credita o turismo que tem é Portugal! O
resumo é esse; com escolas capazes na área do Turismo, elementos formados com
valências ímpares e extremamente valorizadas, zonas abundantes em beleza
natural e modificada, uma pluralidade de objetos de lazer e estudo, alimentados
por um clima e gastronomia díspares na Europa e no mundo, o Algarve e todas as
zonas de Portugal são, se bem aproveitados, importantes catalisadores no
enriquecimento do país. Mas quem manda, quer Monte Gordo só para si.
Aquele.
1 comentários:
Bem visto!!!
Enviar um comentário